O CARACOL XXII | Primavera 2026
Dizem os entendidos que a aldeia nasceu e cresceu ao longo de uma vereda, de uma azinhaga, termo que vem de uma palavra árabe, as-zinaik, rua estreita, … ao passo que uma vereda nunca será mais que um atalho, um desvio para chegar mais depressa aonde se pretende…
Transcrição d`”as pequenas memórias” de José Saramago
Onde estivemos juntos
Destaque: 16 maio - Reunião Geral da Rede
"Todos os rios - Saramago e o decrescimento"
No sábado 16 de maio realizámos a primeira Reunião Geral de 2026 na aldeia da Azinhaga, onde um pouco mais de duas dezenas de membros e simpatizantes da Rede se encontraram para conhecer melhor a vida e obra de José Saramago, bem como para observar e sentir, a partir do contacto com o rio Almonda, alguma da vida e desafios de cuidar de todos os rios.
Tratou-se duma colaboração entre a Rede e a Delegação da Azinhaga da Fundação José Saramago, sob proposta do núcleo de Santarém. Durante a manhã, houve escuta e deslumbramento pelo acolhimento, informação e roteiro pela aldeia; desde a sede da delegação, às ‘cem oliveiras para Saramago’, até ao passadiço do Almonda e parque de merendas, onde almoçamos, em convivial partilha, à sombra de frondosos choupos, freixos e salgueiros.
Ali começamos a perceber melhor, a partir do testemunho de Pedro Triguinho, algumas das lutas de cuidado com aquele rio desde a sua nascente, no concelho de Torres Novas, até desaguar no rio Tejo um pouco mais adiante. Na parte da tarde o grupo dividiu-se em duas dinâmicas coletivas: aprofundar diferentes estratégias, ferramentas e ideias futuras para a defesa dos rios, através dum WorldCafé; do outro, um círculo de partilha de estórias pessoais sobre os rios Alviela, Tejo, Nabão, Jamor, Ave entre outros.
Houve ainda oportunidade para o momento em que os membros da Rede se reuniram mais formalmente para a discussão de assuntos do foro interno deste nosso coletivo informal.
No final ficou uma imensa gratidão pelo fluido dia de encontro e a certeza de que, todos, havíamos posto em prática os princípios decrescentistas da cooperação, convivialidade, complexidade e ligação à Natureza.



Outros eventos passados
Convites abertos a todos
Destaque: 6 de junho - Dia Global do Decrescimento
15h-18h Teatro Avenidas, Rua Alberto de Sousa, 10A, 1600-201 Lisboa
Visualização do documentário "The Cost of Growth" e debate com participação de Susana Fonseca (vice-presidente da ZERO) e Duncan Crowley (ISCTE / Rede para o Decrescimento) | Moderação de Vera Moutinho (jornalista e professora da ESCS).
O documentário questiona a narrativa do crescimento económico exponencial e expõe como este crescimento depende da exploração e expropriação da natureza e de comunidades locais. São estabelecidas ligações entre as lutas na Sérvia, na Itália e em Sápmi (Lapónia) e articula essas lutas com movimentos mais vastos pela justiça social e ambiental.

Mais eventos na agenda
Casa Artemísia (Albergaria, Almoster) - A partir das 10h00
Local e hora a comunicar em breve no site
Últimos Artigos da Rede
Destaque: A Natureza, as mega-centrais, a transição e a consciência democrática por Graça Passos
Afinal está tudo ligado!
Nos píncaros do desenvolvimento científico-tecnológico, em que a tecnologia tudo parece resolver, permanecem duas opções civilizacionais incompatíveis: encarar a Natureza como nascimento, do qual fazemos parte, ou como conceito que dominamos entendendo-a como “um ser à nossa mercê, um ser relativamente ao qual podemos fazer as nossas previsões, tomar as nossas medidas, na crença de que cada vez mais estará à nossa mercê”.
A primeira implica assumir o nosso lugar na comunidade infinita, com tudo o que de transformação envolve a caminho de um mundo melhor para todos. A segunda remete-nos para a industrialização crescente, cujos resultados já estão à vista até dos mais distraídos.
Tomando a Natureza como nascimento, o conhecimento científico-tecnológico fica ao serviço da complexidade e dos seus equilíbrios, tanto em relação aos elementos naturais como às sociedades humanas.
Actualmente, e apesar de tudo, parece ainda haver escolha e é neste contexto que a contestação aos projectos das mega-centrais solares Beira e Sophia constitui um caso bastante interessante.
>> Ler artigo completo

Outros artigos recentes
Novidades do Decrescimento
Destaque: Centenário de Ivan Illich - Convite para submissões para exposição na FBA-UP em outubro
Ivan Illich (1926–2002) foi filósofo, teólogo e um crítico radical da sociedade industrial. A sua obra atravessa a educação, a saúde, a ecologia ou o urbanismo – sempre a partir da mesma inquietação: quanto custa, em liberdade e autonomia, o progresso que as instituições nos oferecem?
Por ocasião do centenário do seu nascimento, convidamos estudantes, artistas, criadores/as e investigadores/as, makers a participar numa exposição coletiva que terá lugar no Museu da Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto, de 12 a 24 de outubro de 2026.
São aceites práticas artísticas e espaciais sem limitação formal nas suas possibilidades enquanto expansão a outros campos. Acolhem-se igualmente oficinas, conversas e outras práticas de caráter participativo.
Para participar, deverá registar-se em CMT3 Microsoft Research e submeter a sua proposta até 30 de junho através do Formulário ILLICH2026.
>> ver site oficial
Outras dinâmicas ou movimentos ativos
Com vários artigos sobre uma nova visão da economia além do crescimento.
A rede internacional para o decrescimento com eventos e grupos um pouco por todo o mundo.
Vários eventos e artigos, nomeadamente sobre Política de Cidades pelos bens comuns, qualidade de vida, equidade e democracia.
Um exemplo de outra rede nacional com dinâmica e alcance.