O Ministro do Ambiente, aliás do Fomento, aliás das acções (sim, dessas!)

Na sua imensa sabedoria, o Governo de Portugal decidiu promover o cumpridor e obediente ministro do Ambiente a super-ministro do ambiente e da acção climática. Não significa isso que o Ambiente tenha qualquer importância para o Governo de Portugal: o país não precisa do ambiente para nada, basta-lhe viver do ambiente dos outros. Quanto à acção climática, a natureza encarrega-se de todas as acções relevantes, como bem sabe o engenheiro. Acontece que Matos Fernandes é um gestor exemplar, um paladino orgulhoso do crescimento, a personalidade mais capaz de atravessar a turbulência climática sem que isso afecte minimamente o fomento da nação. Está para nascer o ministro do ambiente decrescentista. Tal como está para nascer o Governo de Portugal que aceite no seu seio um ministro decrescentista. Os governos em Portugal são sempre grandes empreendimentos, não olham à pequenez local, não querem um ambiente curto, mas antes um que grandiosamente participe dos desastres do nosso tempo.
Há portanto em Portugal um ministro que fala do ambiente – que é uma coisa dos outros – como se fosse uma coisa nossa. Portugal tem uma multidão de ventoinhas gigantes, que manda fazer na Europa e na Ásia. Portugal tem o território em pousio, pelo que o melhor é pô-lo a render sossegado. Portugal precisa de se encher de carros (elétricos ou dos outros), pelo que ajuda os portugueses a obterem esse bem de primeira necessidade dando cheques às empresas e aos particulares. É bom para o ambiente? O gestor Matos Fernandes sabe que o que é bom para a indústria e o comércio automóvel é sempre bom para o seu ambiente no governo de Portugal. Portugal prepara-se para ter aviões a cair do céu porque a Nossa Senhora já não desce de lá e os portugueses olham sempre para cima quando acham que há mais dinheiro lá fora do que cá dentro.
E agora que há três partidos parlamentares ambientalistas e outros cheios de intenções climáticas, ouvimo-los atirar à cara do engenheiro a desfaçatez das suas engenharias crescentistas? Evidentemente que não: não se sentiriam bem com um ministro que levasse a sério o seu título e começasse a dificultar a vida dos condutores, dos turistas e outros investidores do belo território de Portugal. O que fariam com um ministro que dissesse que o nosso ambiente é o ambiente planetário? Então já não se legislava em prol da ecologia? Já não se nacionalizava a natureza? Já não se rentabilizavam os recursos?
Portugal cresceu sempre desde o Liberalismo e os fomentos fontistas. E quanto mais cresce mais pequeno vai ficando.

Jorge Leandro Rosa / Rede DC