Comunicado de imprensa sobre assinatura de acordo entre o Governo Português e a empresa VINCI AIRPORTS sobre o novo aeroporto no Montijo

7 Janeiro 2019

No momento em que se anuncia a assinatura de um acordo sobre o modelo de financiamento de um novo aeroporto civil no Montijo entre o Governo Português e a empresa VINCI AIRPORTS, proprietária da ANA, a Rede para o Decrescimento reforça a sua oposição a este ou a qualquer outro projeto de aumento da capacidade aeroportuária no território português. A Rede para o Decrescimento junta-se a uma frente com dimensão internacional (vide rede global ‘Stay Grounded’) de resistência ao incremento da circulação aérea e à prossecução de uma política em tudo contrária à mais urgente necessidade da Humanidade: parar as emissões de CO2 que estão a destruir o nosso ecossistema, visando particularmente aquelas que ficaram de fora do Acordo de Paris, como as provenientes do tráfego aéreo e marítimo, uma exclusão imoral e desastrosa para todos. Os interesses imediatos das multinacionais do sector e as vantagens imediatistas de um tipo de economia sem futuro são os únicos ganhadores anunciados neste processo.

Opomo-nos, por todos os meios ao nosso alcance, a este empreendimento. Recentemente, foi endereçada uma carta aberta ao Primeiro-Ministro onde explicitámos as razões da nossa oposição (Cf. Carta aberta ao PM e Petição Pública). Aguardamos ainda por um verdadeiro debate sobre o crescimento da circulação aérea que representa um atentado contra o futuro de todos nós neste planeta. Concordamos com os argumentos daqueles que se opõem à escolha desta localização por razões do contexto ambiental imediato e dos impactos negativos nas populações locais. Mas acreditamos que não podemos cair na ilusão de supor que algures possam existir localizações preferenciais onde os danos locais e globais possam ser mitigados. E sublinhamos, porque essa questão não deve ficar esquecida, que nos opomos igualmente ao aumento do tráfego aéreo no Aeroporto Humberto Delgado em Lisboa que, contrariando a tendência atual, deve diminuir para salvaguardar a saúde e o bem-estar da população imediatamente afetada pela sua exploração. Apenas a renúncia a um modelo de sociedade que assenta no crescimento económico infinito e na exploração insustentável dos recursos naturais pode indiciar uma solução para os problemas sociais e ambientais com que nos confrontamos.