‘Climate Alarm’ (Lisboa e Porto)

8 Dez 2018Mensagem da Rede DC lida nos dois eventos, Lisboa e Porto
Estamos aqui como cidadãos empenhados nas propostas do Decrescimento, que julgamos decisivas para a sobrevivência de todos. Enfrentamos uma crise ambiental global de dimensões graves e inéditas, da qual a crise climática é uma das componentes mais visíveis e brutais. A ciência é clara, as evidências inegáveis, e é inaceitável que outros seres humanos, presentes e vindouros, tenham de sofrer as consequências de uma catástrofe causada pelos membros privilegiados de uma sociedade de consumo assente no crescimento económico, na externalização dos impactos ambientais e na distribuição injusta dos impactos sociais. Mas ainda estamos a tempo para mudar de rumo e evitar o pior. Depende inteiramente da nossa vontade como indivíduos, mas também como sociedade.
A CRISE CLIMÁTICA É RADICAL. PRECISAMOS DE SOLUÇÕES RADICAIS. Esta crise está intimamente ligada à crise social e económica global que vivemos e que conduziu a enormes desigualdades e sofrimento, em particular entre os povos do Sul global, mas também nas regiões ditas desenvolvidas em que a riqueza está distribuída de forma muito desigual. Estamos aqui porque os decisores políticos em todo o mundo são cúmplices com este estado de coisas, desdenham os princípios da precaução e da solidariedade social e intergeracional, fingem ignorar que um crescimento económico infinito num mundo de recursos finitos tem tanto de inviável como de absurdo. PERANTE A INSENSATEZ RADICAL, OFEREÇAMOS A NOSSA RESISTÊNCIA RADICAL. Nós, os defensores do Decrescimento, repudiamos todos os modelos socioeconómicos ecocidas e insustentáveis baseados no crescimento permanente da produção e do consumo de bens e serviços, na mercadorização radical, na acumulação e no desperdício. Por isso rejeitamos o capitalismo neoliberal, o extractivismo, o produti-vismo, e a globalização imperialista. Opomo-nos a uma visão do mundo baseada no antropocentrismo, no materialismo, na hegemonia tecno-científica e no patriarcado. Nós, os defensores do Decrescimento, acreditamos que existem formas de viver e prosperar, individual e colectivamente, baseadas nos princípios da ecologia, da justiça social, da equidade e diversidade cultural e de género, assim como da participação democrática. O DECRESCIMENTO É RADICAL PORQUE PRECISAMOS DE IR À RAIZ DOS PROBLEMAS. Estamos aqui porque acreditamos que a visão de uma sociedade decrescentista não é a de uma sociedade menor, triste ou depauperada. A sociedade frugal e sóbria dos decrescentistas é inclusiva e convivial, promove a relocalização das actividades económicas à escala humana, a redução dos horários de trabalho e a reaproximação das pessoas pela utilização da mobilidade suave e partilhada, contribuindo assim para a diminuição da pegada ecológica e para a mitigação da mudança climática. Dizemos não à manipulação pela publicidade e à obsolescência programada que nos atafulham com coisas de que não precisamos, na ilusão de um aumento da auto-estima e do bem-estar, em substituição de relações humanas vibrantes baseadas na autonomia e na liberdade, mas também na responsabilidade ambiental e social. Estamos aqui porque lutamos por modelos de sociedade que nos garantam um planeta habitável e um futuro que valha a pena ser vivido. USEMOS A NOSSA IMAGINAÇÃO RADICAL PARA REINVENTAR O NOSSO MODO DE VIDA.